Criado em 07 de Agosto de 2012

Minha vida em Londres. Entrevista com Marília Feix

Como muitos brasileiros, a gaúcha Marilia Feix escolheu Londres para estudar inglês, se divertir e experimentar viver uma temporada no exterior

Nome: Marília Feix
Procedência: Porto Alegre

Cada um com seus motivos, num bate papo sobre música, trabalho, a vida em Londres e mais música, a DJ Marília Feix contou para o Geleia Cultural quais as razões que a trouxeram para estas bandas do Planeta.

Foto da DJ Marília Feix / Facool

Geleia Cultural: Qual o seu background?
Marília Feix: Me formei em Publicidade no Brasil e desde sempre trabalhei com música. Meu primeiro trabalho como DJ foi aos 20 anos de idade, colocando som no Garagem Hermética, uma casa de shows conhecida por promover festas focadas no mundo do Rock n' Roll em Porto Alegre.

No interim, entre a faculdade e a vinda para Londres, trabalhei em rádios da cidade, de estagiária a locutora.

GC: Vinda para Londres?
MF: Vim para Londres a mais ou menos um ano e meio atrás. Num momento “e agora o que fazer da minha vida”, decidi que precisava aprimorar o meu inglês e vim com o objetivo de estudar inglês e fazer o Cambridge (Certificado de proficiência na Língua Inglesa).

Terminado os estudos, planejava voltar para Porto Alegre, mas acabei fazendo um curso de Music Business, na escola de produção musical Point Blank, para entender mais sobre o mercado de música daqui, selo, festival, gravadora.

GC: Por que Londres?
MF: Apesar de aprender inglês ter sido o objetivo principal na época, queria ir para uma cidade com um cenário musical forte. As capitais da música são Alemanha, Tóquio, Nova York e Londres.

Como alemão e japonês não são o meu forte, fiquei entre as duas últimas opções, mas acabei vindo para Londres, pois tinha aqui referências de amigos.

O que ajudou e ajuda bastante na adaptação.

GC: Pior trabalho?
MF: Meu primeiro trabalho. Tenho uma dor nas costas que me acompanha há mais de um ano e que começou depois de uma noite inteira coletando copos num pub que eu acredito ser o maior pub do mundo. Interminável...

GC: O que faz atualmente?
MF: Tenho um programa todas às quartas-feiras, das 24h às 3h, em uma rádio inglesa chamada Bang Radio - 103.6 FM o nome do programa é Tropicália, só de musica brasileira, mas a locução é em inglês. Sou DJ residente do Guanabara (www.guanabara.co.uk) maior casa de shows brasileira na Europa.

Apresento um programa chamado This Is England para a Radio Elétrica só com bandas que estão em turnê pela Inglaterra, o que me possibilita assistir alguns shows como convidada, e entrevistar bandas legais do Reino Unido.

E ainda, mas não menos importante, sou Gerente Internacional da produtora de áudio Loop Reclame e faço o intermédio entre agências de publicidade daqui e artistas do selo inglês Ho Hum Records.

GC: DJ Marilia Feix?
MF: Amo rock, jazz e MPB. E quando estou trabalhando, gosto de misturar estilos. Acho legal o fator surpresa, de quando o DJ está tocando algo e, de repente, a música seguinte não tem nada a ver com o estilo da anterior.

Mexe um pouco com a emoção do público. No caso da música brasileira curto misturar os clássicos como Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Chico Buarque com algo mais novo, como Lucas Santtana, Flora Matos, João Brasil e Gaby Amarantos.

Aqui em Londres eu gosto de catar coisas novas, mas dos shows legais que eu fui ultimamente, de bandas inglesas, gostei muito do Blue Rose Code, também do trabalho novo solo do Gaz Coombes, além da Lianne La Havas, The Crookes, Laura Marling, Admiral Fallow, The Kabeedies...

E dos mais antigos, Blur, Oasis, Supergrass, Beatles, Stone Roses, Rolling Stones, David Bowie... Não necessariamente nesta ordem!

GC: Londres é especial, por quê?
MF: Porque Londres é sinônimo de cultura, música, shows. Aqui, eu vivo de perto o que está acontecendo no mundo. O Scala, que foi um cinema no passado, é hoje um local que tem regularmente shows e eventos musicais. O que toca lá repercute para o mundo e eu moro há passos de distância dali. Priceless!

GC: Lugar para beber?
MF: The Lexington, em Angel, por que a música é sempre boa, e também rolam shows no andar de cima.

GC: Balada?
MF: Não faço muita balada. Como sou DJ, acabo não saindo muito. Gosto mesmo é de ir a shows!

GC: Shopping?
MF: Minha loja preferida em Londres é a Urban Outfitters, mas minha realidade financeira não permite que eu frequente a loja da maneira que eu gostaria.

Então, vou mais à H&M (www.hm.com/gb), que tem coisas que fazem o meu estilo e é apropriada para o meu bolso. Também adoro passear pelos brechós de Brick Lane, especialmente no Beyond and Retro e no Rokit.

GC: Comer fora?
MF: Breakfast Club por que o lugar é cool, diferente, comida inglesa muito boa e o Food For Thought é bem saudável e bom. Não sou vegetariana, mas como não gosto da carne daqui, praticamente acabei me tornando uma!

GC: Só Londres tem?
MF: Aqui eu me sinto em casa! Que minha mãe não leia isso, mas quando viajo e passo um tempo fora, quando volto, tenho a sensação de estar em casa, sei onde as coisas estão, comida pronta (e salvadora, pois não sei cozinhar) da M&S...

GC: Dia off?
MF: Passar um bom tempo na Rough Trade, que é uma loja de discos e livros sobre musica enorme, com palco pra shows, cafeteria e um clima legal.

GC: Do que vais sentir mais falta de Londres?
MF: A sensação de que a cidade esta sempre em mutação, e que eu nunca vou conhecer tudo, cada canto, cada show, cada exposição, as ruas, a criatividade, a mistura de etnias e de culturas, a sensação de liberdade. Londres é uma descoberta diária.

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