Criado em 03 de Outubro de 2013

Dossiê Jango: O outro lado sobre a história da morte do ex-presidente do Brasil

Esqueça todos os detalhes que você aprendeu na aula de história do colégio. Na verdade, detalhe é o que ainda falta nas cartilhas quando o assunto é a morte do presidente João Goulart.

Muito diferente do que é mostrado no documentário Dossiê Jango, de Paulo Henrique Fontenelle. A história dos livros relata que Jango faleceu em decorrência de um infarto, na Argentina, no dia 6 de dezembro de 1976.

Dossiê Jango: o outro lado sobre a história da morte do ex-presidente do Brasil | Foto: Divulgação

Ele estava se preparando para voltar ao Brasil após anos de exílio na América do Sul.

Jango era sim um paciente com problemas cardíacos, mas não dava indícios de que sua saúde ia mal. O jornalista Carlos Heitor Cony chega a afirmar no documentário que ele estava em perfeita forma, havia parado de beber e cumpria um regime que evitava comidas pesadas e gordurosas.

Mesmo com estes relatos, Jango ainda utilizava medicação contínua para o coração, e é justamente neste ponto que entra o suposto 'outro lado da história'.

A acusação é que João Goulart havia sido assinado devido a troca dos remédios.

Claro que não é uma acusação fácil de se fazer, ainda mais porque nunca houve uma autópsia no corpo do ex-presidente do Brasil.

De todas as afirmações, suposições e detalhes expostos no documentário, um fato chama muito a atenção.

O depoimento do ex-agente uruguaio, Mário Neira Barreiro, contando detalhes sobre como tudo teria acontecido.

Fatos como a participação de um agente americano que teria introduzido o remédio para alterar a pressão arterial e a dilatação do coração de Jango.

As conversas ouvidas pelo grampo nos telefones da fazenda onde o presidente vivia, os hábitos diários de todos os integrantes da família de Jango.

Jango faleceu na Argentina, no dia 6 de dezembro de 1976 | Foto: Divulgação
Jango faleceu na Argentina, no dia 6 de dezembro de 1976 | Foto: Divulgação

Fotos, arquivos secretos e as ligações entre o presidente Kennedy e seu informante no Brasil mostram que ainda há muitos fatos acobertados em toda a história de Jango e dos políticos que lutavam pela democracia no Brasil.

O problema é que quanto mais se buscava investigar sobre o que realmente aconteceu, mais fatos misteriosos aconteciam.

Todos os envolvidos diretamente na morte de João Goulart também tiveram mortes inexplicáveis, como a do médico legista que fez o laudo da morte de Jango e morreu atropelado por um carro.

O diretor Paulo Henrique Fontenelle esteve no 5º Brazilian Film Festival de Londres | Foto: Geleia Cultural
O diretor Paulo Henrique Fontenelle esteve no 5º Brazilian Film Festival de Londres | Foto: Geleia Cultural

Já o empresário uruguaio e amigo do ex-presidente, Enrique Foch Diaz, que também afirmava veementemente que Jango havia sido assassinado, também morreu por razões cardíacas no mesmo período.

São mais de 18 mortes de pessoas que estavam diretamente envolvidas com a história de Jango, segundo relato do documentário. Tudo isso é questionado através do depoimento de jornalistas, escritores, políticos, ministros, e inclusive, do filho e da viúva de Jango.

Até que haja uma resposta concreta sobre o que realmente aconteceu, não é possível afirmar se houve mesmo assassinato.

Mas a intenção do filme é justamente propor a investigação sobre a morte de João Goulart, exigindo que a nação brasileira se responsabilize para que a verdade seja investigada. Só assim, após mais de 30 anos, esta página poderá ser virada.

Dossiê Jango recebeu os prêmios de Melhor Documentário, pelo júri popular do Festival do Rio 2012, e melhor Longa-Metragem, pelo júri popular do Festival de Tiradentes 2013.

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